Como a Affix passou a analisar 10x mais contratos com a mesma equipe — e ainda subiu o nível de qualidade.
Contexto
A Affix é uma administradora de benefícios — opera no meio do mercado de planos de saúde corporativos. O trabalho central da operação inclui análise de contratos: documento longo, denso, com várias cláusulas, anexos, particularidades regionais. Cada um desses documentos passa por análise humana antes de virar contrato fechado com o cliente.
A escala do trabalho era um problema clássico: cada contrato consumia entre 2 e 3 horas de análise por um analista qualificado. Multiplique isso por dezenas de contratos por mês, em uma operação que estava crescendo, e você tem um time inteiro fazendo análise documental — gente cara, com formação específica, fazendo trabalho que mistura partes burocráticas (verificar campo, cruzar informação) com partes de julgamento clínico-jurídico (decidir se uma cláusula está adequada, se há risco, se precisa de revisão).
A Affix sabia que precisava escalar essa operação. Contratar mais analistas era a saída tradicional — e era cara, lenta (treinar analista novo demora meses), e ainda não atacava o gargalo real, que era a parte burocrática consumindo o tempo da parte de julgamento.
O desafio
Não bastava "aplicar IA" no contrato. Documento contratual de plano de saúde tem complexidade que um sistema de OCR genérico não cobre: termos técnicos específicos, cláusulas que se referenciam mutuamente, anexos com tabelas, condições suspensivas, particularidades regionais. Errar uma cláusula é caro — pode gerar litígio anos depois.
A IA que entrasse ali precisava ter o nível de cuidado de um analista sênior. E precisava ser auditável — porque se o sistema aprovou um contrato com problema, alguém precisa saber por quê.
A solução
A NexUnio construiu uma POC com 14 agentes especializados, cada um focado em um tipo específico de cláusula ou validação. A arquitetura é modular: o documento entra, é classificado por tipo, distribuído para os agentes relevantes, validado em paralelo, consolidado em um relatório de análise final.
Cada agente tem uma responsabilidade clara: um valida cobertura, outro valida carências, outro confere reembolso, outro audita rede credenciada — e assim por diante, até o 14º.
Quando todos os agentes terminam, o sistema gera um relatório consolidado com pontos de atenção, score de confiança por cláusula, e recomendação. O analista humano recebe esse relatório e foca seu tempo onde realmente importa: nas cláusulas que o sistema marcou como duvidosas.
A interface de comparação lado-a-lado entre dois contratos foi a cereja do bolo — quando a Affix precisa avaliar mudança contratual, vê tudo destacado em segundos.
Os resultados
- Análise de contrato passou de 2-3 horas para 20 minutos. Redução de aproximadamente 90% no tempo gasto por documento.
- 94% de acurácia verificada em piloto. A IA acerta na primeira passada na imensa maioria dos casos. Os 6% restantes são exatamente os casos em que humano precisa olhar — e o sistema sinaliza isso explicitamente.
- Capacidade de processamento aumentou em ordem de magnitude. A operação que antes processava dezenas de contratos por mês passou a poder processar centenas, com a mesma equipe.
O que isso destrava
Liberdade de escala aqui significa crescer sem inflar headcount qualificado. O analista da Affix é caro porque é raro — gente que combina conhecimento de saúde com conhecimento de contrato. Não dá pra contratar dez de uma vez. A IA pegou o trabalho repetitivo desse analista e o transformou em curadoria — agora ele faz o que máquina não faz: julgamento de borda, casos atípicos, decisão de exceção.
Essa é a diferença entre "automatizar pra cortar custo" e "automatizar pra elevar nível". A Affix não cortou ninguém — ela libertou o time qualificado pra fazer trabalho qualificado.
Pipeline de extração de texto em PDFs complexos, múltiplos agentes de IA especializados orquestrados em paralelo, interface web para revisão humana, score de confiança por cláusula, comparação lado-a-lado entre documentos.